quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O que faz uma música ser ruim?

Há diversas maneiras de se analisar uma música. Como toda obra de arte, a análise pode ser técnica, cultural, emocional e social. É curioso ver pessoas discutindo a relevância de certos estilos musicais, em relação a outros, levando em conta apenas os aspectos culturais e emocionais de ambos!

Assim, não dá para dizer, por exemplo, que heavy metal é "melhor" simplesmente por você se "identificar" mais com esse estilo do que com outros (exemplo de análise emocional: através da identificação sensorial) e, muito menos, por preferir cabelo comprido ao invés de rastafári ou chapéu de cowboy (exemplo de análise cultural: através da identificação comportamental). 

Isso, sem falar nas diversas experiências, que todos passamos durante a vida, que nos fazem amar ou odiar uma música pelo simples fato de a associarmos a um acontecimento, filme, pessoa ou sentimento marcante.

Podemos, também, identificar a função social de uma proposta musical, observando se sua motivação é artística ou apenas comercial. Muitas das "novidades" que aparecem são meras releituras ou reutilizações de fórmulas consagradas, com o objetivo de conseguir êxito comercial. Elas cumprem bem seu papel na indústria de entretenimento, mas seu sucesso é passageiro e irrelevante artisticamente.

Além da análise emocional, cultural e social, existem muitos outros aspectos que devem ser considerados e que compõem a análise técnica, levando em conta os elementos básicos de composição:

1) Elaboração melódica: riqueza e variedade de notas/ritmo que formam a melodia;

2) Harmonia: soluções diferentes e criativas de fazer as progressões (seqüências) e montagens dos acordes;

3) Letra: preocupação estética, formal e poética no uso da linguagem, priorizando a forma de expressão ao conteúdo do texto em si (valorização do 'como' dizer ao invés do 'que' é dito, simplesmente);

4) "Levada": apresentar o padrão rítmico, característico do estilo musical escolhido, em formas variadas e alternativas;

5) Instrumentação: criatividade e diversificação de sonoridade na escolha e utilização dos instrumentos musicais;

6) Dificuldade de execução: nível de complexidade técnica e/ou interpretativa para tocar;

7) Contexto histórico: conceitos técnicos e estéticos novos ou que estejam atrelados ao período em que foram concebidos. Quando a obra de arte "reflete" a realidade da época em que está inserida, torna-se atemporal (não perde sua importância), sendo muito valorizada por críticos e especialistas. Por isso, é bastante comum estilos novos serem rejeitados na época em que são criados e valorizados somente tempos mais tarde, quando o distanciamento histórico permite identificar, mais claramente, seus contextos e a influência que exerceram.

Como a Arte está sempre em sintonia com uma determinada cultura, região e período histórico (que ser humano não estaria?!), somente a análise técnica é isenta e impermeável por essas fortes influências "externas". Comece a reparar no grau de influência que suas preferências pessoais foram determinadas pelo meio em que você vive: verá que suas opiniões são mais influenciadas do que gostaria!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Consigo aprender a tocar sem ter um instrumento?

Diversas pessoas (em sua maioria, PAIS de alunos) ficam receosas em investir a quantia de dinheiro necessária para a compra de um instrumento musical sem a certeza de que o retorno valerá a pena: jovens e crianças, principalmente, mudam de interesse muito rápido e, diante de dificuldades nas aulas, podem desistir do curso, mesmo após terem conseguido convencer seus pais a comprar um instrumento. Mesmo os adultos, que nunca fizeram uma aula de música, também ficam inseguros em fazer a aquisição sem antes saber qual a dinâmica do curso. 

Em um nível preliminar, até é possível aprender alguma coisa apenas tocando durante as aulas. Contudo, o rendimento desse aprendizado será bem aquém do adequado, podendo até desestimular o aluno. 

A dinâmica de uma aula prática de música é simples: o professor explica todo o procedimento técnico para a execução correta da música/exercício em questão, o aluno pratica em casa e apresenta o resultado desse estudo na próxima aula, para verificação e eventuais correções. Assim, a velocidade do aprendizado depende do empenho do aluno, não do professor/escola de música (veja, também, no blog: Em quanto tempo estarei tocando?).

Existem opções mais baratas: modelos mais simples, instrumentos usados, versões eletrônicas e teclados que podem substituir o piano, pelo menos, na fase preliminar de estudo, até que o aluno tenha ideia se quer mesmo prosseguir ou consiga comprar um instrumento melhor (veja no blog: Piano acústico, digital ou teclado?).

Na impossibilidade de adquirir qualquer uma dessas opções, escolas de música, conservatórios e igrejas costumam disponibilizar suas salas de instrumento, fora do horário letivo, para os alunos que quiserem estudar.

sábado, 25 de outubro de 2014

Piano acústico, digital ou teclado?

Existem instrumentos de teclado de todos os tipos e preços. Invariavelmente, os modelos mais caros oferecem vantagens: melhorias sonoras, mecânicas e tecnológicas. Contudo, nem sempre podemos adquirir o instrumento mais adequado, seja pelo preço ou por seu tamanho. Em alguns casos, é possível fazer uma escolha mais adequada ao "bolso" e/ou às várias condições que envolvem a aquisição de um instrumento, mesmo que sejam "paliativas" (válidas por um certo tempo). 

O piano acústico é o que exige mais preparo técnico do executante: sua mecânica e peso das teclas oferecem uma gama de sonoridades cuja exploração depende da capacidade do pianista. Possui versões de "armário" (ou "apartamento"), mais compactas, e versões de cauda em diversos tamanhos: 1/4, 1/2, 3/4 e cauda inteira (de "concerto"): quanto maior o seu tamanho, maior será sua potência sonora. É indicado para qualquer curso.



O piano digital é a versão eletrônica do piano acústico. Suas vantagens: mais barato, menor e mais leve (facilitando o deslocamento), controle de seu volume geral e saída para fone de ouvido (não incomodando vizinhos e pessoas no mesmo ambiente), variedade de timbres, regulagem do som interno, metrônomo acoplado, entre outros recursos. Como precisa de alto-falante para reproduzir seu som (modelos mais avançados possuem falantes acoplados), sua potência sonora depende da qualidade desse(s) alto-falante(s). Apesar de, praticamente, todos os modelos serem oferecidos com teclas do mesmo peso que as de madeira (utilizadas nos pianos acústicos), somente uma linha recente conseguiu reproduzir não só o peso, mas todo o comportamento mecânico do modelo acústico, simulando a mesma reação ao toque experimentada num piano, tornando esses modelos digitais indicados até para quem toca erudito (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?). Os modelos sem essa tecnologia são uma opção intermediária entre o piano acústico e o teclado, sendo apenas indicados a alunos iniciantes e aos praticantes de música popular.



Os teclados e sintetizadores podem ser considerados instrumentos "independentes": apesar da grande maioria dos modelos também disponibilizar timbres de piano, seu maior atrativo é a grande variedade de timbres de outros instrumentos e os recursos eletrônicos. Com mecanismo bem suave, teclas leves e inúmeras facilidades, é a opção que menos exige preparo técnico do executante. Por isso mesmo, não faz o treinamento muscular necessário ao aluno iniciante que pretende, posteriormente, tocar num piano acústico. Muito utilizado em bandas por sua versatilidade, o teclado é indicado somente para praticantes de música popular (veja no blog: Qual a diferença do curso de Teclado e de Piano Popular?).


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

12 razões para saber ler/escrever uma partitura

Inviável na música erudita, cujo material é totalmente fundamentado em partituras (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?), aprender a tocar "de ouvido" é uma prática muito comum na música popular: várias pessoas conseguem se desenvolver sozinhas, observando a postura de alguém tocando e reproduzindo músicas apenas ouvindo sua gravação (veja no blog: Como 'tirar' músicas de ouvido?). Através do seu talento e muita persistência, excelentes músicos já se destacaram sem nunca terem feito uma aula de música sequer.

Contudo, mesmo para músicos excepcionais e experientes, saber ler/escrever uma partitura é um diferencial muito valorizado no mercado atual de música popular, por dar a independência necessária que destaca os especializados dos simples "imitadores". Veja 12 razões para você dominar a notação (escrita) musical, seja músico profissional ou amador:

1) Tocar músicas que não conhece: conseguir executar qualquer música sem depender de uma referência auditiva, tanto na aquisição de partituras, como num serviço 'freelancer' fechado em cima da hora, onde raramente há tempo para ensaio e/ou para tirar de ouvido todas as músicas do repertório. Se o músico a ser substituído tiver as partituras de sua parte e você tiver uma boa leitura, poderá tocar corretamente, à "primeira vista" (sem estudo prévio), músicas que não sejam muito complicadas tecnicamente, mesmo que nunca tenha tocado/ouvido antes;

2) Aprender mais rápido a tocar uma música: mesmo as mais complicadas tecnicamente (que exigem um tempo de estudo para atingir a execução ideal), você aprende, com a partitura, a toca-la muito mais rápido do que se tivesse que tira-la de ouvido, pois pode se concentrar em resolver sua mecânica sem antes precisar descobrir as notas e o ritmo;

3) Tirar uma música de ouvido mais rapidamente: se você for escrevendo  a partitura enquanto tira uma música de ouvido, não precisará dispor de mais um tempo para ficar repetindo a mesma, várias vezes, até decorar;

4) Não precisar decorar toda música que toca: à medida que o seu repertório vai aumentando, mantê-lo sempre decorado vai se tornando cada vez mais complicado. E já que, na maioria das situações, podemos tocar com partitura, com o registro escrito você elimina a necessidade de decorar todas as músicas. No mercado atual, é muito comum o músico precisar trabalhar em vários lugares para se sustentar financeiramente. Manter decorado o repertório de todos os grupos que participa acabaria exigindo horas extras de estudo;

5) Relembrar, mais rapidamente, músicas que tocou há muito tempo: como a partitura é um registro permanente, uma simples releitura, na maioria das vezes, é suficiente para relembrar uma música, mesmo que tenha ficado muito tempo sem toca-la. Essa é mais uma razão de escrevermos uma música que tiramos de ouvido: reler sua parte escrita é muito mais rápido do que tira-la novamente;

6) Preservar os detalhes: quando tocamos uma música decor (sem partitura) por muito tempo, vamos, sem perceber, alterando nossa maneira de toca-la, esquecendo de fazer alguns detalhes e, até, perpetuando erros que passaram despercebidos! Se você tem o registro escrito, basta tocar uma vez com a partitura para relembrar todos os detalhes, ao invés de precisar, periodicamente, ficar conferindo sua execução com a gravação. Nos trabalhos onde se pode tocar com partitura, os detalhes nunca são esquecidos, preservados como no dia em que a música foi tirada pela primeira vez;

7) Exatidão na execução: a música popular geralmente permite que se faça adaptações e "maneirismos" (tocar do seu jeito) durante a execução. Contudo, há situações onde, como na música erudita, são requeridas execuções específicas e precisas: musicais, gravações, arranjos (adaptações e alterações de uma música para uma formação/execução diferente da original) ou quando não há uma gravação de referência (trabalhos inéditos, por exemplo), onde a única maneira de se conseguir essa precisão é através de uma partitura;

8) Escrever suas composições e arranjos: somente através de uma partitura você conseguirá informar, ao músico, a execução correta de uma música;

9) A imprecisão do sistema de cifragem: o uso de cifras (simbologia mais simples de acordes, através de letras e números), além de não indicar notas isoladas, é impreciso até na indicação dos acordes. Compositores e arranjadores, no desejo de uma sonoridade específica, não conseguem, sem escrever uma partitura, indicar uma montagem (distribuição das notas) precisa de um acorde através da cifragem (alguns até inventam novas cifras ou adaptam suas formas para tentar contornar esse problema);

10) Estudar algum método sozinho: não depender de terceiros para conhecer/estudar novos materiais. Não existe uma maneira mais eficiente de se fazer entender um exemplo musical do que com uma partitura. Assim, invariavelmente, todos os métodos e apostilas musicais conterão alguma parte com notação musical;

11) Dar aula em escolas, conservatórios e instituições: como não podia ser diferente, a grande maioria das escolas de música exige uma formação técnica e teórica de seus professores. Notação musical é matéria básica e obrigatória em um currículo de professor de música;

12) Não é preciso ter uma habilidade especial: o mais importante disso tudo, é que qualquer um pode aprender a notação musical padrão, usada, atualmente, no mundo todo. O sistema é simples, lógico, matemático e universal (dentre os estilos originários na cultura ocidental, ele é adotado por todos da música popular e na maior parte da música erudita). 

Não se trata, aqui, de "demonizar" quem só toca de ouvido em favor de quem sabe ler partitura... Mas, porque não desenvolver as duas habilidades? Uma coisa não anula a outra e ambas são muito úteis (por vezes, até, IMPRESCINDÍVEIS) no panorama atual da música popular.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como "tirar" músicas de ouvido?

Ainda hoje, é muito difícil encontrar partituras de música popular fiéis à gravação original (mesmo quando publicadas e revisadas pelo autor!): além de erros de diversos tipos, em sua maioria são versões facilitadas (simplificadas) para serem acessíveis a um maior número de pessoas (desde os níveis mais iniciantes no instrumento). 

Assim, alunos mais avançados, músicos amadores e profissionais que trabalham com cover (reprodução fiel do original) precisam "tirar" as músicas "de ouvido" (reproduzi-las ouvindo a gravação) se quiserem uma execução idêntica.

Alguns tem, naturalmente, essa facilidade, identificando a altura exata do som (notas) apenas ouvindo: são pessoas que possuem ouvido absoluto (característica genética que lhes permite identificar, precisamente, a altura/freqüência dos sons que ouvem). 

Mas, ao contrário do que a maioria pensa, tirar uma música de ouvido não depende desse "dom divino" e também pode ser conseguido com treinamento específico: as pessoas de ouvido relativo (aquelas que não possuem ouvido absoluto) conseguem identificar a altura dos sons usando uma ou mais notas como referência para descobrir as outras (escolhem um som como parâmetro inicial, localizam-no, tocando num instrumento musical, e vão, em seqüência, localizando as demais). 

Ainda assim, mesmo dentre as pessoas que possuem ouvido relativo, algumas tem mais facilidade do que outras para desenvolver essa habilidade. As razões são diversas: vivência (estímulos recebidos desde a infância), características fisiológicas, formação educacional, cultural, religiosa, etc. Quem tem dificuldade acaba levando mais tempo para assimilar o treinamento, precisando ter mais persistência e dedicação para conseguir os mesmos resultados. 

E como se faz esse treinamento? Praticando. Aulas de Percepção (rítmica e melódica) dão um auxílio importante e vão, progressivamente, desenvolvendo a capacidade auditiva dos alunos desde os iniciantes. Para praticar em casa, comece tentando reproduzir, no piano, sons isolados e seqüências sonoras com poucas notas: campainhas, alertas sonoros (relógios, celulares), etc.

Quando estiver mais familiarizado com o processo de identificação/localização das notas, pegue uma música que seja bem familiar pra você (uma cantiga de roda, por exemplo) e tente reproduzir sua melodia: seqüência de notas que nos faz identificar uma música (geralmente, é a parte cantada). 

Selecione gravações de outras músicas e continue exercitando, tirando trechos da melodia, solo instrumental ou qualquer outra parte que conseguir reproduzir. Vá se desafiando continuamente, tirando trechos mais longos, mais rápidos e ritmicamente mais complexos. 

Já para identificar um acorde (agrupamento simultâneo de duas ou mais notas) e, consequentemente, a harmonia (seqüência de acordes) de uma música, é necessário um pouco mais de experiência/treinamento: comece identificando a nota mais grave do acorde que quer tirar. No caso de uma banda, use a nota do baixo (contra-baixo elétrico ou acústico) como referência. Depois, identifique as demais notas que estão sendo tocadas (numa banda, preste atenção nos instrumentos que estão fazendo o acompanhamento - geralmente, violão/guitarra e/ou piano/teclado), que farão notas complementares ao baixo para formar o acorde. Numa gravação com orquestra, concentre-se no naipe de cordas (violinos, violas e violoncelos).

Se encontrar dificuldade para reconhecer o acorde completo, experimente formar uma das quatro tríades básicas (Maior, Menor, Diminuta ou Aumentada) com a nota que o baixo está tocando (na maioria das vezes será a fundamental). Por exemplo: se o baixo estiver tocando a nota DÓ, experimente colocar um acorde que tenha essa nota como fundamental (Dó Maior, Dó Menor, Dó Diminuto ou Dó Aumentado). Se não for nenhum desses, tente algum que tenha a nota DÓ como sua quinta (Fá Maior, Fá Menor, Fá Sustenido Diminuto ou Mi Aumentado) ou como sua terça (Lá Bemol Maior, Lá Menor, Lá Diminuto ou Lá Bemol Aumentado). 

Se ainda não estiver conseguindo, pegue a letra cifrada (há vários sites disponíveis para isso) de uma música simples (com pouca variedade de acordes e que sejam sem sétima): obtenha sua gravação; toque, junto com ela, o primeiro acorde mostrado na cifragem e vá descobrindo os demais apenas escutando.

Só parta para estilos de harmonia mais complexa (bossa nova, MPB, jazz) depois de algum tempo de experiência. Aulas de Estruturação e Harmonia desenvolvem um embasamento teórico das técnicas de composição que servirá de guia quando o ouvido não conseguir discernir sozinho. 

Evidentemente, há complicações: acordes com quatro ou mais notas, arranjos incomuns, seqüências inusitadas, passagens muito rápidas, qualidade de gravação ruim, muitos instrumentos tocando ao mesmo tempo, entre outras coisas que dificultam o trabalho de percepção. Com treinamento, persistência e estudo (harmônico, melódico e rítmico) você acrescenta padrões de referência que vão tornando o procedimento mais rápido e eficiente.

Hoje em dia, ainda é possível encontrar softwares de computador e aplicativos de smartphones que realçam determinadas partes da música, diminuem a velocidade da gravação e outras facilidades que ajudam no trabalho.



terça-feira, 22 de julho de 2014

Devo estudar Piano Erudito ou Popular?

Quando iniciei meus estudos de piano em 1980, aos nove anos de idade, sequer existia o curso de piano popular nos conservatórios e escolas de música (era preciso fazer aula particular com algum pianista do ramo). Qualquer música fora do repertório erudito (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?) era também escrita e arranjada (notas e ritmo do acompanhamento estabelecidos) para quem se interessasse em tocar outro tipo de música no piano.

Porém, além de dificilmente ser confiável (devido a versões simplificadas e erros em geral), esse tipo de material (ainda utilizado por professores não especializados em piano popular) pode, até, satisfazer a vontade do aluno, mas não lhe fornece as informações necessárias para tocar em grupo (banda), acompanhar alguém, tirar uma música de ouvido, improvisar e criar seus próprios arranjos (situações corriqueiras para quem, realmente, toca piano popular).

Hoje em dia, já é possível encontrar um vasto material especialmente voltado para piano popular, não sendo mais obrigatório estudar primeiro erudito (como antigamente) para aprender a tocar.

Mesmo assim, ainda há a crença que é "melhor" estudar piano erudito, mesmo quando se quer tocar popular, pois "quem toca erudito, consegue tocar popular, mas o inverso não". Apesar do piano erudito ser muito mais exigente nos detalhes e no preparo técnico, e alguns pianistas populares estudarem peças eruditas (especialmente Bach e Czerny) para aprimorar a sua técnica, essa afirmação não condiz com a verdade: cada um desses estilos necessitam de um treinamento específico (que não são ensinados no outro) para serem corretamente executados.

Portanto, um pianista formado em erudito não saberá fazer vários procedimentos específicos de piano popular, mesmo com uma técnica mais desenvolvida.

Aconselho a escolha do curso de piano erudito apenas às pessoas que já tem uma vivência com esse tipo de música (sabem do que se trata e gostam de ouvi-lo) e desejam toca-lo, ou aos que tem interesse em conhece-lo. Crianças podem ser introduzidas pelo professor, mas dificilmente prosseguirão no curso se também não forem incentivadas a aprecia-lo em casa.


domingo, 13 de julho de 2014

Existe uma idade certa para começar a estudar piano?

Pessoas de qualquer idade podem aprender a tocar piano. Exceto por algumas doenças adquiridas na velhice, ser mais velho não interfere no aprendizado. Apenas, talvez, no rendimento (veja no blog: Em quanto tempo estarei tocando?).

Crianças menores de 6 anos, e ainda não alfabetizadas, recebem uma aula especializada, com um desenvolvimento programático adequado à sua faixa etária (veja, também: Musicalização: aula ou brincadeira?).

Pessoas com necessidades especiais necessitam de professores com treinamento específico para lidar com essas características. 

Começar a estudar cedo só é relevante quando há pretensões profissionais envolvidas: o curso de Bacharelado em Música, ao contrário das demais profissões acadêmicas, não aceita alunos iniciantes, requerendo (através de provas específicas no vestibular) um treinamento prévio que gira em torno de 8 anos para piano erudito. 

Assim, uma pessoa que queira entrar na Faculdade de Música aos 18 anos (idade comum para os outros cursos), teria que ter iniciado os estudos de piano, pelo menos, aos 10 anos de idade.

Não havendo nenhum prazo para pressionar a velocidade do seu desenvolvimento, você pode fazer o curso no seu ritmo, adequando-o ao seu tempo livre e às suas prioridades. Só tome cuidado: muitas vezes, um ritmo flexível demais e sem metas/objetivos vai desanimando o aluno, que, com poucos e demorados progressos, acaba avaliando negativamente o custo-benefício do curso e desistindo.

Foto tirada por meu pai, em 10/01/1972, quando eu tinha dez meses de vida:

O que é Música Clássica/Erudita?

Música Clássica (ou Erudita) é um gênero originário na música secular e litúrgica da Europa Ocidental, em meados do séc. IX. Desenvolvido, até hoje, por especialistas da área e não por práticas folclóricas e populares, é o estilo responsável pela evolução técnica da Música ao longo da História.

Dentre seus diversos períodos (onde muitos consideram o Romantismo, no séc. XIX, como seu apogeu), houve o Classicismo (Período Clássico), no séc. XVIII, com o qual pode ser confundido quando usamos o termo 'Música Clássica' de maneira mais abrangente.

Classificado como "sério" e não-comercial, é um gênero cujas composições são comprometidas com a qualidade e evolução da arte musical, e não com a popularidade de sua repercussão (mesmo se a obra foi encomendada e paga para ser composta).

Essa independência de expressão, que compõe o cerne de sua produção, é muito valorizada dentre pessoas com alto grau de erudição (saber aprofundado em um ramo do conhecimento; instrução, cultura vasta e variada): críticos, especialistas e entendedores.

Porém, esse alto nível de elaboração e complexidade técnica, resultante, acaba requerendo, para sua apreciação, conhecimentos específicos também por parte do ouvinte, o que acaba dificultando sua divulgação e o acesso do grande público.

Alguns de seus principais expoentes foram: Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Wagner, Debussy, Schöenberg, entre muitos outros.

No sentido inverso, a Música Popular (Pop) é, geralmente, descompromissada com uma relevância artística, preocupando-se mais em entreter seus ouvintes do que contribuir com o desenvolvimento de novas técnicas, sistemas/estruturas de composição e métodos de expressividade.

Para conseguir sobreviver na indústria do entretenimento, a música pop sempre depende do sucesso com o público (ser aceita/consumida pela grande maioria das pessoas ou por um número significativo de determinado grupo/setor), e acaba reutilizando fórmulas, técnicas e conceitos já consagrados pelo gosto popular na elaboração de suas obras.

Alguns especialistas classificam o Jazz, a Bossa Nova e alguns outros estilos populares em um gênero intermediário: o da Música Semi-erudita (obras com grande grau de elaboração que utilizam a linguagem e influência da Música Popular).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Como saber se a música está pronta?

Em casa, dificilmente conseguimos reproduzir as circunstâncias que enfrentaremos numa apresentação, onde vários fatores influenciam o nosso desempenho (veja, também, no blog: 5 razões porque tocamos melhor em casa). Assim, como saber que estudamos o suficiente para deixar a música pronta?

Na verdade, essa certeza nunca existirá: em qualquer momento, por diversas razões diferentes, podemos perder a concentração ou nos abalarmos emocionalmente, comprometendo nossa performance.

Além de desenvolver esse controle emocional (falarei sobre isso num outro post), a maneira mais eficaz de diminuir a chance de alguma coisa sair errado é, mesmo, estudar mais. 

Quando você estiver tocando perfeitamente em casa, já na primeira tentativa, experimente pianos/lugares diferentes (salas de aula, salas de estudo, casa de amigos/parentes, teatros, auditórios, etc.). Participe de apresentações ou organize você mesmo: toque para seus pais, irmãos, amigos, vizinhos, namorado(a), cônjuge e qualquer pessoa que possa fazer público. 

Durante sua masterclass no 10º Festival de Música de Londrina, em 1991, a grande pianista Yara Bernette (1920 - 2002) deu uma sugestão curiosa sobre a questão: calcule a média de horas que você dorme e coloque o despertador para te acordar exatamente no meio do sono (quem costuma dormir oito horas por dia e for deitar às 23h, por exemplo, deve colocar o despertador para as 3h). Imediatamente se levante, vá até o piano e toque: se não errar nada é porque a música está pronta!

terça-feira, 24 de junho de 2014

5 motivos porque tocamos melhor em casa

A segunda frase que mais ouço em sala de aula é: "Em casa estava melhor!", com algumas poucas variações (infelizmente, a primeira ainda é: "Não estudei essa semana!"). Freqüentemente, o desempenho em sala de aula não é o mesmo conseguido em casa. Mas porque isso acontece? O fator emocional é preponderante nessa situação, potencializado pelas seguintes razões:

1) Não tocar em seu próprio instrumento. Essa é a maior desvantagem do pianista, que quase nunca se apresenta no instrumento no qual estudou. Cabe a ele se adaptar ao piano disponível no local onde irá tocar (é como dirigir um carro diferente do seu: os princípios são os mesmos, mas há diferenças que o motorista precisa se adequar);

2) Ambientação. Por mais que esteja habituado com a sala onde tem aula, o aluno sempre fica mais à vontade em sua própria casa, no ambiente que ele conhece e passa todos os dias;

3) Ninguém está olhando. SEMPRE ficaremos mais tranqüilos tocando sozinhos do que para alguém observando. É inevitável considerar que estamos sendo avaliados, por mais leiga que seja a pessoa para a qual estejamos tocando. E quanto mais especialista ela for, maior a responsabilidade que sentimos pela nossa performance;

4) Saber que podemos recomeçar caso alguma coisa dê errado. Tocar em casa é como jogar um videogame: podemos recomeçar quantas vezes quisermos. Isso dá uma enorme segurança e tranqüilidade psicológica ao executante. Assim, jamais sentiremos o peso e a responsabilidade de uma performance "pra valer" (sem chance de correção) quando estamos estudando em casa;

5) Depois de repetir várias vezes a música, fica mais fácil conseguir a execução ideal. Durante a fase de estudo, é impensável considerar que a peça esteja pronta enquanto não conseguirmos executa-la, perfeitamente, na primeira tentativa (situação que acontecerá na aula ou numa apresentação). Quando a peça ainda não estiver pronta e não houver mais oportunidade de estudar antes de apresenta-la, é recomendado, então, tocar um pouco mais lento para diminuir a chance de erros.

Felizmente, mesmo com esses empecilhos, vários fatos (já acontecidos comigo e com diversos colegas) comprovam que, quando o repertório foi bem estudado, a técnica e a memória muscular conseguem se sobrepor não só a eles, mas até às mãos suando e pernas tremendo!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Qual a diferença do curso de Teclado e de Piano Popular?

A maioria das pessoas não sabe, ao certo, a diferença entre os cursos de Teclado e de Piano Popular. Pensam que, para tocar teclado, precisam fazer o curso específico. Para entender a questão, é preciso, antes, saber a diferença entre os dois instrumentos.

O teclado, além de ser uma versão eletrônica do piano, também possui timbres diferentes (sons de outros instrumentos), ritmos para acompanhamento e diversos outros recursos e facilidades adicionais. 

O curso padrão de Teclado ensina a tocar utilizando o sistema de acompanhamento automático que os modelos arranjadores possuem: a mão direita toca a melodia (parte principal da música, na grande maioria das vezes feita por uma voz solo) e a mão esquerda toca acordes (três ou mais notas juntas) de acompanhamento. O teclado faz o resto sozinho: a bateria (ritmo), o contrabaixo e diversos outros instrumentos automaticamente, simulando uma banda completa. Com essa função ativada, fica bem mais fácil aprender qualquer música, porque diminui bastante o trabalho a ser feito, que, num piano, seria muito maior. O curso é, assim, um pouco enganoso: a maioria dos elementos sonoros não está sendo feita diretamente pelo executante. 

Cada instrumento musical tem uma função no arranjo (elaboração da parte de cada um). Se o teclado fizer todas essas funções, não haverá espaço para outros tocarem com ele. Ou seja, fazendo o curso de Teclado, o aluno somente aprenderá a tocar sozinho, sempre usando os auxílios eletrônicos. Assim, numa banda, mesmo usando um teclado, o tecladista toca da maneira ensinada no curso de Piano Popular. 

Tocar teclado, para quem JÁ toca piano popular, é apenas uma questão de se adaptar às teclas mais leves e aos recursos eletrônicos disponíveis quando necessário. Porém, para a execução de obras do repertório erudito (música clássica) o teclado não serve, devido à sua extensão menor (quantidade de teclas) e, principalmente, à sua mecânica leve que não corresponde ao controle necessário para a grande variação sonora e a proficiência técnica exigidas para tocar esse estilo de música (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?).

Já para alguém que NUNCA tocou piano, é preciso, primeiramente, desenvolver toda a base técnica/motora para tanto. Por isso, o aluno deveria, antes de aprender a utilizar-se dos recursos eletrônicos, iniciar seu aprendizado no curso de Piano Popular (até mesmo se for para aplica-lo num teclado). Será mais difícil e levará mais tempo, mas ele aprenderá a TOCAR de verdade!


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Musicalização: aula ou brincadeira?

Crianças abaixo de 6 anos e ainda não alfabetizadas também podem ter aula de Música. Além de professores treinados, o material didático é totalmente voltado para essa faixa etária.

Mesmo para crianças um pouco maiores (de 6 a 9 anos), as escolas costumam oferecer um tipo de aula em grupo ou individual que é chamada de Musicalização.

Nessas aulas, a proposta não é ensinar a tocar um instrumento musical específico ou a ler uma partitura, mas em expandir o universo musical da criança, desenvolvendo sua percepção e fazendo com que tenha contato com as diversas formas de manifestações sonoras. O contato prático se faz com instrumentos de iniciação mais fácil: flauta doce, percussão variada, teclado e canto.

Aliada ao fato de que crianças não conseguem manter a concentração, numa mesma atividade, por mais de 15 minutos, as atividades da aula de Musicalização são bem variadas e utilizam, também, brincadeiras conhecidas (jogo da memória, dominó, desenho, etc.) para introduzir e integrar os elementos musicais no cotidiano do aluno.

Inserida no contexto do universo sonoro em que vive e com o treinamento de sua percepção auditiva, a criança terá uma base sólida para, posteriormente, aprender a tocar um instrumento com mais facilidade, além de desenvolver um senso crítico que lhe permitirá uma apreciação musical mais criteriosa no futuro.



sábado, 17 de maio de 2014

8 passos de como estudar com metrônomo

Algumas pessoas apresentam dificuldade em tocar com metrônomo. Principalmente as que já estudam, há algum tempo, e nunca utilizaram um e nunca tocaram em grupo. Crianças, acostumadas desde o início, não apresentam dificuldade em aprender a acompanhá-lo. Mas como ele é fundamental no estudo musical (veja, também, no blog: 7 razões para estudar com metrônomo), sugiro 8 passos para incorporá-lo na sua rotina de estudo:

1) Ligue o metrônomo em 60 BPM (batidas por minuto). Bata palmas junto com a marcação. Se você perceber que está perfeitamente sincronizado com ela, pule para o passo 5. Se não estiver sincronizado (se não souber se está ou não, provavelmente não está), siga para o passo 2;

2) Coloque o vídeo (DVD ou encontre na internet) de uma música que você goste (de preferência, uma gravação ao vivo): bata palmas na pulsação da música, identificando auditivamente algum som/instrumento para você seguir. Se tiver dificuldade em identificar a pulsação, bata palmas acompanhando visualmente os movimentos dos braços do regente (se houver), ou pegue um trecho em que o cantor e/ou o público batam palmas junto com a música. Quando conseguir sincronizar visualmente, feche os olhos e tente acompanhar apenas ouvindo. Repita o procedimento com músicas e/ou trechos diferentes, até conseguir acompanhar com as palmas apenas ouvindo;

3) Agora, faça o mesmo usando somente o metrônomo: bata palmas acompanhando, visualmente, o movimento do seu pêndulo e/ou de suas luzes. Depois, acompanhe apenas ouvindo sua batida (sem olhar para o metrônomo). Treine em velocidades diferentes;

4) Estude sua peça contando os tempos do compasso em voz alta. Depois, substitua sua contagem pelo metrônomo (NÃO CONTE EM VOZ ALTA QUANDO ESTIVER USANDO O METRÔNOMO);

5) Coloque o metrônomo num andamento lento o suficiente para conseguir tocar sem erros (este será seu andamento inicial);

6) Depois que o andamento inicial estiver definido, acelere para o próximo ponto do metrônomo (no modelo digital, acelere 5 pontos) SOMENTE QUANDO CONSEGUIR EXECUTAR A MÚSICA SEM ERROS, DO INÍCIO AO FIM;

7) Continue acelerando até atingir um ponto acima da velocidade desejada: assim, tocará com mais facilidade quando voltar para o andamento ideal;

8) Quando for estudar num outro dia e não conseguir tocar no mesmo andamento da ultima vez, diminua o andamento até reencontrar uma velocidade mais lenta na qual consiga tocar sem erros. Repita todo o procedimento (retomando do passo 6) até que essa queda de rendimento não aconteça mais. 

Você não tem metrônomo? Além dos conhecidos modelos mecânicos com pêndulo (são os mais caros!), existem modelos eletrônicos, digitais e virtuais. Atualmente, existem várias e excelentes opções gratuitas em forma de software para computadores e de aplicativo para smartphones

Pessoas que estudam piano popular e possuem teclado com acompanhamento automático, podem utilizar um ritmo de bateria parecido com o da gravação original no lugar do metrônomo: além de ser mais divertido (seria como tocar numa banda), elas irão se acostumando a identificar a pulsação dentre os timbres diferentes e os diversos elementos a mais que a bateria faz.

terça-feira, 13 de maio de 2014

7 razões para estudar com metrônomo

Não somos máquinas: nosso relógio biológico oscila por diversos fatores. Quando executamos uma música na sua versão original, somos o canal de transmissão da concepção do compositor. Assim, temos que adaptar nossas intenções com as dele. Utilizar metrônomo torna-se o elemento chave desse treinamento. Suas funcionalidades:

1) Manter a pulsação: nosso cérebro não consegue processar informações novas com rapidez, pois precisa de tempo para codifica-las e delegar os comandos necessários aos membros (braços, mãos, dedos e pés). Com isso, temos a tendência natural de tocar devagar os trechos mais complicados e tocar rápido os trechos simples. Somente com uma pulsação regular você saberá se está fazendo a execução rítmica corretamente (duração das notas);

2) Saber, pela partitura, a velocidade que a música deve ser tocada: sem uma gravação como referência, só com o metrônomo podemos interpretar as indicações na partitura e descobrir o andamento correto de execução (veja figura abaixo);

4) Acelerar o andamento gradativamente durante o estudo: para que possamos, aos poucos, ir nos acostumando com a velocidade ideal de execução;

5) Controlar a freqüência cardíaca no momento da execuçãoo batimento cardíaco oscila de acordo com o estado emocional. Assim, temos a tendência de tocar mais rápido quando nossa pulsação está acelerada pela ansiedade, nervosismo ou empolgação (repare como a maioria das versões "ao vivo" das músicas pop são mais rápidas!) ou tocar mais devagar quando nossa pulsação está lenta pelo cansaço, tranqüilidade ou desânimo;

6) Participar de gravações em estúdio: que são, em quase sua totalidade, feitas com metrônomo;

7) Tocar seguindo uma pulsação "externa": seja a do regente num grupo numeroso (orquestra, coral, etc.), a do baterista numa banda, ou de um "ponto eletrônico" (ear - fone de ouvido), cada vez mais presente nas apresentações ao vivo com metrônomo, playback ou sequencer (gravações que complementam a execução)

Ou seja, é IMPRESCINDÍVEL estudar com metrônomo. Como já dizia minha professora de piano quando eu cursava a UNESP: "Ter um metrônomo é quase tão importante quanto ter o piano!" (veja, também, no blog: 8 passos de como estudar com metrônomo).





segunda-feira, 28 de abril de 2014

7 dicas para seu estudo render mais

Com a vida cheia de obrigações (profissionais e pessoais), numa sociedade dominada pela indústria do entretenimento (com seus jogos, celulares e aplicativos cada vez mais atraentes e interessantes), está cada vez mais difícil reservar um tempo para estudar. Aproveitar o tempo disponível torna-se, então, crucial:

1) Prepare trechos curtos: não disperse seu tempo tentando tocar a peça inteira e ignorando os problemas que surgirem no decorrer da leitura;

2) Estude devagar: tentar tocar rápido (ou no andamento correto) quando começar a estudar uma música, só atrasa a assimilação, além de aumentar a possibilidade de estudar alguma coisa errada (o professor não estará ao seu lado para corrigi-lo!);

3) Conte os tempos do compasso em voz alta: assim você saberá exatamente o que está fazendo e resolverá as dúvidas de rítmica na leitura;

4) Use o metrônomo: só com ele você saberá se está tocando corretamente, corrigindo as oscilações de pulsação (comuns na fase inicial de estudo) e adequando, gradativamente, seu ritmo cardíaco à velocidade ideal da música, para mais ou para menos (veja no blog: 8 passos de como estudar com metrônomo7 razões para estudar com metrônomo);

5) Concentre-se nos lugares onde tem mais dificuldade: não perca tempo repetindo os trechos que já aprendeu;

6) Esqueça os demais problemas: concentração é fundamental para o rendimento em qualquer atividade. Para mantê-la, é inevitável que "esvazie" sua cabeça, não pensando em outra coisa além do que está fazendo no momento. Também é aconselhável que desligue celulares, tablets, televisores, computadores ou qualquer aparelho que possa desviar sua atenção;

7) Estude todos os dias: assim você não esquece o que estudou no dia anterior e mantém o que já sabe, não perdendo tempo por ter que relembrar trechos já estudados (veja também: 6 passos para criar uma rotina de estudo).

O tempo que você levará para aprender o trecho estudado dependerá do nível de dificuldade dele, do seu nível técnico atual e da quantidade de tempo que dispor para estudá-lo (veja também: Em quanto tempo estarei tocando?).



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em quanto tempo estarei tocando?

Pergunta frequente e bem difícil de responder, já que não define em qual nível técnico cada pessoa se consideraria "estar tocando".

Tecnicamente, todos os alunos (mesmos os iniciantes) já tocam desde as primeiras aulas, mas, quando alguém faz uma pergunta como essa, geralmente quer saber em quanto tempo estará tocando as suas músicas favoritas (que são as referências de sua expectativa). Na maioria das vezes, essas músicas são peças icônicas, que exigem grande desenvolvimento técnico e maturidade emocional do intérprete, que só são adquiridos após anos de estudo.

O programa de um curso de piano é definido, assim como qualquer outro, através da média de rendimento apresentado pelas pessoas. Assim, escolas livres e Conservatórios possuem um programa progressivo, dividido em níveis (geralmente anuais), que é usado como parâmetro para aprovação/reprovação dos seus alunos. Partindo do "zero", um curso completo de piano leva de 6 a 9 anos.

Contudo, como a aula de piano é, em sua essência, individual (aulas em grupo apenas dividem a atenção do professor), o seu programa é dinâmico, adequando-se ao desenvolvimento de cada um (com suas dificuldades, disponibilidades e prioridades diferentes) e, por isso, fazendo variar bastante o ritmo de aprendizado, para mais ou para menos.

Crianças costumam aprender mais rápido porque sempre estão à frente dos adultos no que se refere a estímulos, tecnologia, tempo livre e quantidade de obrigações/prioridades.

A grande maioria dos adultos apresenta impaciência, resistência, hábitos inadequados, autocobrança elevada, expectativas irreais e pouco tempo livre para estudo, o que acaba atrapalhando seu desenvolvimento. Seria absurdo esperar que o ritmo de aprendizado de um adulto seja o mesmo que o de uma criança.

Por esses motivos, é impossível prever a duração exata do curso de piano. O tempo que o aluno se dispor a estudar (fora do horário da aula) é que vai determinar a velocidade de seu aprendizado. Ou seja, sempre valerá a "máxima" famosa de que: quanto mais conseguir estudar, mais rápido irá aprender. Mas o inverso também é verdadeiro!




segunda-feira, 14 de abril de 2014

6 passos para criar uma rotina de estudo

Poucas pessoas possuem o hábito de reservar um tempo diário para estudar (inclusive os estudantes!). Assim como na prática esportiva, a dedicação frequente é o diferencial no desenvolvimento musical. Sugiro, aqui, seis passos para criar esse hábito:

1) Comece com períodos curtos de 10 minutos;

2) Faça um período curto de estudo todos os dias: nem que precise acordar 10 minutos mais cedo ou dormir 10 minutos mais tarde (você não ficará mais cansado por causa desses 10 minutos a menos de sono!);

3) Não acumule períodos de estudo, transferindo de um dia para outro: não "empurre" para o dia seguinte seu período e nem estude 20 minutos num dia para não estudar no outro. Prefira estudar menos, TODOS OS DIAS, do que estudar mais por poucas vezes na semana;

4) Alterne o material se o seu repertório inteiro exigir mais do que 10 minutos de estudo: comece pelo que não deu tempo de estudar no dia anterior;

5) Faça um segundo período diário ou aumente o período único para 15 minutos (quando estiver fazendo, depois de duas semanas, um período curto de estudo todos os dias);

6) Estude, pelo menos, um período curto diariamente, mesmo quando estiver fazendo períodos mais longos ou vários curtos.

Assim que a rotina de estudo estiver incorporada no seu dia-a-dia, veja, periodicamente, a possibilidade de aumentar a quantidade de períodos e/ou suas durações. Até quanto? A complexidade/extensão do seu repertório e, principalmente, suas prioridades é que determinarão até quanto você deve aumentá-los.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

É preciso ter um talento especial para aprender a tocar?

Geralmente, a maioria das pessoas costuma atribuir habilidades especiais (quase "divinas") aos praticantes de atividades artísticas, como se algum ente superior tivesse escolhido uns poucos predestinados para exercer essas funções na sociedade.

Na verdade, assim como qualquer outra atividade, Música também se aprende. Essas "facilidades" inatas podem ajudar no desenvolvimento, mas não determinam se a pessoa irá ou não aprender alguma coisa. O estudo e a persistência são muito mais eficazes nesse processo.

Assim, um aluno persistente, mesmo com dificuldades, consegue, ao longo do tempo, melhores resultados do que um aluno talentoso e preguiçoso, que não utiliza seu potencial.

Aliás, a melhor definição de "talento" que eu conheço está no filme "Vem Dançar" (Take the Lead - 2006/EUA): baseado na história real do professor de dança Pierre Dulaine, que se propôs a dar aulas de dança de salão a alunos de uma escola pública, na periferia, que eram isolados da turma por mau comportamento. Uma jovem, boa aluna, sonhava em aprender a dançar e assistia as aulas, mas não participava por considerar-se sem talento. Ao revelar isso ao professor, este faz uma expressão séria e questiona se ela realmente amava a Dança e se faria qualquer coisa para saber dançar. Diante da resposta afirmativa da aluna, ele diz: "Então você TEM talento!" (veja, também, no blog: O que é TALENTO?).

A vontade de aprender alguma coisa supera qualquer habilidade pouco desenvolvida, mesmo que leve mais tempo.

Crianças-prodígio, como Mozart e vários outros casos mostrados nos meios de comunicação, são exceções que não devem ser usadas como parâmetro.

Extroversão, empatia, carisma e sensibilidade (principalmente quando precoces) são características supervalorizadas no meio artístico, mas não são determinantes no início do aprendizado musical. Tocar um instrumento pode ser um meio divertido de desenvolver e aprender a manifestar essas características.

"Franz Liszt ao Piano" (caricatura da época)