segunda-feira, 28 de abril de 2014

7 dicas para seu estudo render mais

Com a vida cheia de obrigações (profissionais e pessoais), numa sociedade dominada pela indústria do entretenimento (com seus jogos, celulares e aplicativos cada vez mais atraentes e interessantes), está cada vez mais difícil reservar um tempo para estudar. Aproveitar o tempo disponível torna-se, então, crucial:

1) Prepare trechos curtos: não disperse seu tempo tentando tocar a peça inteira e ignorando os problemas que surgirem no decorrer da leitura;

2) Estude devagar: tentar tocar rápido (ou no andamento correto) quando começar a estudar uma música, só atrasa a assimilação, além de aumentar a possibilidade de estudar alguma coisa errada (o professor não estará ao seu lado para corrigi-lo!);

3) Conte os tempos do compasso em voz alta: assim você saberá exatamente o que está fazendo e resolverá as dúvidas de rítmica na leitura;

4) Use o metrônomo: só com ele você saberá se está tocando corretamente, corrigindo as oscilações de pulsação (comuns na fase inicial de estudo) e adequando, gradativamente, seu ritmo cardíaco à velocidade ideal da música, para mais ou para menos (veja no blog: 8 passos de como estudar com metrônomo7 razões para estudar com metrônomo);

5) Concentre-se nos lugares onde tem mais dificuldade: não perca tempo repetindo os trechos que já aprendeu;

6) Esqueça os demais problemas: concentração é fundamental para o rendimento em qualquer atividade. Para mantê-la, é inevitável que "esvazie" sua cabeça, não pensando em outra coisa além do que está fazendo no momento. Também é aconselhável que desligue celulares, tablets, televisores, computadores ou qualquer aparelho que possa desviar sua atenção;

7) Estude todos os dias: assim você não esquece o que estudou no dia anterior e mantém o que já sabe, não perdendo tempo por ter que relembrar trechos já estudados (veja também: 6 passos para criar uma rotina de estudo).

O tempo que você levará para aprender o trecho estudado dependerá do nível de dificuldade dele, do seu nível técnico atual e da quantidade de tempo que dispor para estudá-lo (veja também: Em quanto tempo estarei tocando?).



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em quanto tempo estarei tocando?

Pergunta frequente e bem difícil de responder, já que não define em qual nível técnico cada pessoa se consideraria "estar tocando".

Tecnicamente, todos os alunos (mesmos os iniciantes) já tocam desde as primeiras aulas, mas, quando alguém faz uma pergunta como essa, geralmente quer saber em quanto tempo estará tocando as suas músicas favoritas (que são as referências de sua expectativa). Na maioria das vezes, essas músicas são peças icônicas, que exigem grande desenvolvimento técnico e maturidade emocional do intérprete, que só são adquiridos após anos de estudo.

O programa de um curso de piano é definido, assim como qualquer outro, através da média de rendimento apresentado pelas pessoas. Assim, escolas livres e Conservatórios possuem um programa progressivo, dividido em níveis (geralmente anuais), que é usado como parâmetro para aprovação/reprovação dos seus alunos. Partindo do "zero", um curso completo de piano leva de 6 a 9 anos.

Contudo, como a aula de piano é, em sua essência, individual (aulas em grupo apenas dividem a atenção do professor), o seu programa é dinâmico, adequando-se ao desenvolvimento de cada um (com suas dificuldades, disponibilidades e prioridades diferentes) e, por isso, fazendo variar bastante o ritmo de aprendizado, para mais ou para menos.

Crianças costumam aprender mais rápido porque sempre estão à frente dos adultos no que se refere a estímulos, tecnologia, tempo livre e quantidade de obrigações/prioridades.

A grande maioria dos adultos apresenta impaciência, resistência, hábitos inadequados, autocobrança elevada, expectativas irreais e pouco tempo livre para estudo, o que acaba atrapalhando seu desenvolvimento. Seria absurdo esperar que o ritmo de aprendizado de um adulto seja o mesmo que o de uma criança.

Por esses motivos, é impossível prever a duração exata do curso de piano. O tempo que o aluno se dispor a estudar (fora do horário da aula) é que vai determinar a velocidade de seu aprendizado. Ou seja, sempre valerá a "máxima" famosa de que: quanto mais conseguir estudar, mais rápido irá aprender. Mas o inverso também é verdadeiro!




segunda-feira, 14 de abril de 2014

6 passos para criar uma rotina de estudo

Poucas pessoas possuem o hábito de reservar um tempo diário para estudar (inclusive os estudantes!). Assim como na prática esportiva, a dedicação frequente é o diferencial no desenvolvimento musical. Sugiro, aqui, seis passos para criar esse hábito:

1) Comece com períodos curtos de 10 minutos;

2) Faça um período curto de estudo todos os dias: nem que precise acordar 10 minutos mais cedo ou dormir 10 minutos mais tarde (você não ficará mais cansado por causa desses 10 minutos a menos de sono!);

3) Não acumule períodos de estudo, transferindo de um dia para outro: não "empurre" para o dia seguinte seu período e nem estude 20 minutos num dia para não estudar no outro. Prefira estudar menos, TODOS OS DIAS, do que estudar mais por poucas vezes na semana;

4) Alterne o material se o seu repertório inteiro exigir mais do que 10 minutos de estudo: comece pelo que não deu tempo de estudar no dia anterior;

5) Faça um segundo período diário ou aumente o período único para 15 minutos (quando estiver fazendo, depois de duas semanas, um período curto de estudo todos os dias);

6) Estude, pelo menos, um período curto diariamente, mesmo quando estiver fazendo períodos mais longos ou vários curtos.

Assim que a rotina de estudo estiver incorporada no seu dia-a-dia, veja, periodicamente, a possibilidade de aumentar a quantidade de períodos e/ou suas durações. Até quanto? A complexidade/extensão do seu repertório e, principalmente, suas prioridades é que determinarão até quanto você deve aumentá-los.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

É preciso ter um talento especial para aprender a tocar?

Geralmente, a maioria das pessoas costuma atribuir habilidades especiais (quase "divinas") aos praticantes de atividades artísticas, como se algum ente superior tivesse escolhido uns poucos predestinados para exercer essas funções na sociedade.

Na verdade, assim como qualquer outra atividade, Música também se aprende. Essas "facilidades" inatas podem ajudar no desenvolvimento, mas não determinam se a pessoa irá ou não aprender alguma coisa. O estudo e a persistência são muito mais eficazes nesse processo.

Assim, um aluno persistente, mesmo com dificuldades, consegue, ao longo do tempo, melhores resultados do que um aluno talentoso e preguiçoso, que não utiliza seu potencial.

Aliás, a melhor definição de "talento" que eu conheço está no filme "Vem Dançar" (Take the Lead - 2006/EUA): baseado na história real do professor de dança Pierre Dulaine, que se propôs a dar aulas de dança de salão a alunos de uma escola pública, na periferia, que eram isolados da turma por mau comportamento. Uma jovem, boa aluna, sonhava em aprender a dançar e assistia as aulas, mas não participava por considerar-se sem talento. Ao revelar isso ao professor, este faz uma expressão séria e questiona se ela realmente amava a Dança e se faria qualquer coisa para saber dançar. Diante da resposta afirmativa da aluna, ele diz: "Então você TEM talento!" (veja, também, no blog: O que é TALENTO?).

A vontade de aprender alguma coisa supera qualquer habilidade pouco desenvolvida, mesmo que leve mais tempo.

Crianças-prodígio, como Mozart e vários outros casos mostrados nos meios de comunicação, são exceções que não devem ser usadas como parâmetro.

Extroversão, empatia, carisma e sensibilidade (principalmente quando precoces) são características supervalorizadas no meio artístico, mas não são determinantes no início do aprendizado musical. Tocar um instrumento pode ser um meio divertido de desenvolver e aprender a manifestar essas características.

"Franz Liszt ao Piano" (caricatura da época)